Carlyle Pereira


Biografia

Biografia (carlylepereira@yahoo.com.br)
Carlyle Cláudio Pereira – 27/10/1947 – Blumenau (SC) – Filiação: LeopoldoPereira e Izaura Pereira – Escolaridade: 2º grau completo - Cônjuge: Rosi Ana Stopa – Residência: Rua Pedro Francisco de Borba Coelho, 70 – Centro - 88.390.000 – Barra Velha (SC) – fone: (047) 8829-3218.

 


 

Publicações

 

Livros publicados:

(1) Brasil, que país é este?, (2) 17 verdades que não querem calar, (3) Calidoscópio, (4) Polícia Civil (2007). Os três primeiros estão esgotados. Todos são reflexões humanas, percucientementehumanas, apedrejando os “lepromas” do tecido social,que estimulam a desvaloração universal dos valores, imergindo o Homem na angústia do absurdo.


Escrevi mais de 200 (duzentos) artigos para os jornais: JSC, O Estado, A Notícia, Diário do Litoral (Itajaí) “Diarinho”, Folha Parati, Jornal do Comércio, “Notícias do Dia”...

 

 


 

Textos

 

 

Robin Hood!

Ladrão. Assassino. Fora da lei. Um homem... que feriu e foi ferido. A têmpera de sua espada, ao enfrentar a fúria da violência como mecanismo de dominação da classe dominante, acumpliciara-se à violência como estratégia de sobrevivência dos dominados.
Enquanto os gritos de vidas indefesas e inermes, crepitavam na “santidade” das chamas, a crença no “Fogo Unigênito da Paixão” apagara-se no coração do cavaleiro das matas, aumentando as labaredas de sua revolta. O assevandijamento (subserviência vergonhosamente indecorosa) não conseguiu agasalho no seu peito indomável. A “rebeldia”, tal qual lavas vulcânicas, daquele homem de malha metálica e indumentária verde, tornara-se percucientemente salutar, pois buscava na resistência, a continuidade da existência.
Diante da ação homicida do autoritarismo da corte, ele se tornara uma reação, uma resposta, igual ou superior. Os prepotentes esqueceram-se que, mesmo na ausência de qualquer ensinamento ou na presença de uma doutrina intimidativa, um grito de liberdade e de verdade sempre nascerá na mente e no coração do homem.
Assim, a lâmina impertérrita, a flecha célere e a lança implacável, ensanguentaram-se na recusa, inquebrantável, dos esfarrapados de Sherwood: que a verdade do dominado, fosse precedida pela “verdade” do dominador, o qual caluniando, sempre, esperava aumentar os resíduos de sua calúnia.
Se os homens são efeitos colaterais do meio, para cada Robin Hood ambiental (lesando ricos), será encontrada a sua gênese, através da moeda invertida, um “Hood Robin” causativo, depenando os pobres.
ROBIN HOOD, o filme (a arte imitando a vida) ao ser “necropsiado”, mostra (sociologicamente) que em qualquer parte do mundo, haveria duas cidades: uma, a dos “homens de bem”, consequentemente acumulando bens; a outra, a dos “homens de mal”, consequentemente amontoando misérias. Este maniqueísmo não esconde a culpa que a classe dominante possui, e a necessidade que ela sente de transformar em ameaça constante e bode expiatório, aquele que não tem como participar do banquete.
Ladrão. Assassino. “Fora da lei”, simplesmente, um homem. As histórias se transformam em lendas; os acontecimentos são ressuscitados nas páginas vetustas e encarquilhadas dos livros, celuloides, pinturas e programas televisivos; as palavras se ajeitam para formar, ironicamente, a rima que eternizou o nome de um homem, tão somente, contudo “O Senhor da Floresta de Sherwood... ROBIN HOOD!”.


Quentin Tarantino

Quando o tema é o antissemitismo, sabe-se que judeus talmúdicos protagonizarão a dor. Tarantino, hoje, é o “maestro da violência” no cinema, ao manipular a intimidação dissimulada, serpenteando diante do desamparo desorbitado da vítima.
É a prelibação do veneno ao inocular-se no sangue, quente, trêmulo. Dissecando o lado escuro da mente, o cineasta mostra em “Bastardos Inglórios”, que somos recipientes de bondade e perversidade. As circunstâncias é que provocam a cisão da linha tênue que separa a sanidade da patologia, liberando o mal para a “noite da lua cheia”.
A trilha sonora que descerra as cortinas começa a evanecer, quando na distância insinuam-se automóveis pretos, trasladando seres indefinidos. Então, a melancolia (perfil musical) instiga a adrenalina ao rasgar o véu, impactando. O coração pula no peito.
O hábil Tarantino, ao “assassinar” a pureza da inocência logo no início do espetáculo, arremessa a plateia ao encontro de um grupo de soldados americanos. O líder, revela-se um homem expressivo, visceral, pragmático, cuja munição é o ódio e a aridez emocional, flertando libidinosamente com o escalpo (criação do cara-pálida, jamais do índio, sabia?).
A Criminologia, tateando no labirinto da crueldade absoluta, dispara: você mataria sua mãe a marteladas? Não. Foi o que responderam todos os matricidas. Temos aí, as vestes do verdugo que aciona os eletrodos da “torradeira”; ou fecha as portas da câmara de gás, liberando o odor, inexorável, de pêssegos deteriorados; ou move os êmbolos que impulsionam a morte para o interior da agulha. Tudo sob à hipocrisia testemunhal, que espera, antegozando, o estrebuchar espasmódico do condenado. Carrasco + testemunhas + execução completam a noite por onde transitará o “lobo”, saciando-se com o último suspiro de sua presa, detectado no silêncio do estetoscópio.
O quepe ianque ou a suástica chucrute são a espécie humana, frente e verso da mesma moeda, faces do mesmo rosto, indissolúveis na sua duplicidade, grita o enredo apoteótico de “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino.




As sombras... sabem!

“Nas densas lonjuras/silentes repousam as sepulturas/exortam do além, as vozes dos mortos/exercitai, sempre, as forças do bem!” (Goethe).

Por analogia, podemos dizer que o andar cadenciado das botas e o arrastar medonho das correntes, tresloucaram as vítimas, sinalizando-lhes que um ogro abriria a “porta de Realengo” trazendo a morte, extintor inexorável da chama tênue que aquece a vida.
As leis e as religiões têm se acumpliciado para controlar Belial,o demônio que habita no interior do homem, indecifrável pela mais obstinada interpretação da ciência. O homem, esse eterno desconhecido dos outros e, especialmente, de si mesmo, é o único espécime que consegue deslocar-sedo estágio humano para o infrahumano.
Wellington Menezes de Oliveira, ensimesmado, cabisbaixo e retraído, fez esvair, aos borbotões, o viço de dez meninas e dois meninos. Como um colibri psicótico, penetrou em seus corpos e sugou todo o mel de suas almas que desabrochavam, e depois... se suicidou.
Realengo que era apenas uma fatia do Rio de Janeiro, foi abalado por uma tragédia que costurou miríade de sentimentos com linhas dolentes, escarlates. Os jornais do País ressumbraram copiosas lágrimas. Na “selva de papel”, um cérebro enlouquecido fez doze mártires deslizarem pela rotativa, impregnando o olfato de tinta preta, invadindo as narinas com o cheiro do desespero, da dor, do pesadelo (que começou quando os olhos se abriram) e do sangue ainda trêmulo, vermelho.
Das desventuradas vítimas, ficou a imensurabilidade da lembrança inesgotável; as feridas se transformarão em cicatrizes, que serão envolvidas pelo nevoeiro do tempo, bálsamo bendito dos que sofrem. Ao inspirar-se no aforismo “Conhece-te a ti mesmo”, do templo de Delfos, Sócrates imergiu na investigação das coisas humanas, desnudando o BEM e o MAL que transita no último reduto de cada um de nós.
O suicídio de sua mãe, o alheamento e a introspecção, a etiqueta de “bobo”, as roupas pretas optadas antes do tresloucado ato e a carta de despedida de Wellington, servirão de vertentes às lucubrações sherlockianas.Todavia, a sonda mais invasiva, nunca alcançará o recesso escuro de sua mente. Ninguém sabe o que se esconde nos labirintos negros do cérebro. As sombras... sabem!