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Danielle da Gama
Biografia
Danielle da Gama, formada em Administração de Empresas, com
Especialização em Comércio Exterior, ex-professora de Língua
Portuguesa e Inglês. Trabalho no Banco do Brasil desde 2000. Sempre
escrevi, sem alguma técnica. Estou na SEB buscando aprimorar a forma
de escrever e aprender sobre literatura e poesia. |
Textos
GIRASSSÓIS
Morena é a cor da tarde
Longe pingam desencantadas
Flores mornas
O vento
E as desventuras, sem cor
Morena e doce
Esta noite rebenta
No vidro
Parte poeira e saudade
- tudo que está suspenso –
Cor de laranja
As laranjas
Os girassóis
E descartáveis, alvas, as flores de laranjeiras
- do verão se estão parindo essas lembranças
No fim não há mais luz
Nem lembrança
E os girassóis esquecidos, entortam,
nu diâmetro,
e vão sentir suas próprias saudades.
REFLEXÃO
...se é fúria ou tentativa...
sou eu a casca que a mim se adere?...
em meu rosto cravei mapas
de sofreguidão e insensatez
com que vivi meus tempos
juro por deus uma lembrança tola
de jasmim perfumo meu cômodo empoeirado
peço que me tragam os papéis em ordem.
Deixe-me nesta paz que não
Eu sou, sob a casca,
Imensidão
Outros mapas
E tudo cheira a jasmim e qualquer tolice...
ANTI-POEMA
Hoje quero o poema tranqüilo
aquele que lê as soluções
que interrompe os soluços
quero o poema pílula
menos o poema estricnina
quero o poema brincando de balanço
o poema, aquele, que não vai cair
e ralar os joelhos
na terceira
ou quarta
estrofe
hoje quero o poema sigla
o poema bíblia
o poema claro
o poema escrito de ponta cabeça
no fim do caça-palavras
o poema que responde
a alternativa correta
e o poema, este, que não pasma não pensa e não se engana
apenas porque não quero examinar
hipóteses
desvendar fábulas
e quero,
acima de tudo,
menosprezar,
lírica,
cada figura de linguagem.
quero o poema assim:
impassível,
impossível.
Assim quereria
o poema,
eu.
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