O POETA E À
POESIA
Brumas...
De praias e estradas.
Rumas até onde ninguém vai.
Com silêncio das madrugadas
Rimas teu “Ai!”
Nu’Alma cor de leite
O deleite é a nata,
Nas espumas da alvorada!
Nas manhãs de escuros,
Galga os muros antes de acordares.
Porque enterras as guerras,
Navegas revoltos mares,
Fecundas estéreis terras.
Aplacas as mágoas
Quando há placas de mágoas
Em soltos amares.
POESIA !
És nas aldeias o efeito do rogo,
O fogo que ateias não se desfaz,
E corre nas veias teu grito de paz.
Não se vexa quem te usa como flecha,
Vertida e lançada!
E a caneta comete tua estrada,
Cometa perfeito da harmonia:
POESIA !
Passem os poetas!
Canudos uivantes do vento da vida.
Passem os profetas,
Ao se cumprirem profecias.
Foram feitos ao mundo e não afeitos a ele.
Carregam defeitos, são vagabundos,
Apartam-se dele porque fecundos
ao que lhes é de valia:
POESIA !
Alegria de corações imbatíveis,
Capaz de invencível ser
porque toma homens a seu fazer.
E a despeito de que assim não queiram,
são levados ao cometimento destemido
de terem assim vivido.
POESIA !
Jairo Martins
- Onde encontro a poesia?
Ousou um dia,
O aspirante poeta aos céus perguntar.
Acudiu-lhe uma voz:
- A poesia está onde teu coração
Puder alcançar!
Meu coração é tão pequeno – desfez o poeta -
Asas, ele não possui!
Como poderei um dia,
A poesia encontrar?
A voz responde:
- Voa sem medo pelas planícies do teu coração
Amputa os pés se preciso for.
Sede suave como a brisa,
Inocente como a flor
E, assim, quando menos esperares
Em tuas mãos nascerão asas,
Teus dedos aspergirão poesia.
Mas não te enganes, aspirante poeta
A poesia é feita de vazios.
Nasce quando dorme,
Morre quando desperta!
Nunca vai, nunca fica!
Deixa sempre atrás de si
Uma porta aberta...
Cassiane Schmidt
Nascimento
da poesia
(Cassiane Schmidt)
Na velha casa, na florida e estreita rua, mora um poeta.
A casa é antiga como os cabelos dele.
Passo os dias a observá-lo, às vezes, ele me parece tão
próximo, quase dentro de mim.
Ele não sabe que eu existo, tampouco desconfia da
inquietação que me provoca.
Todas as tardes vejo-o debruçado sobre a velha janela,
compondo versos feitos de olhares distantes. Certo dia,
ouvi-o recitar uns versos, eram lindos versos,
escondi-me no vão do muro que nos separa, e fiquei
quieta, ouvindo as palavras frágeis que dançavam na voz
do poeta.
Ele declamava, ria, chorava, e depois calava tudo a sua
volta num silêncio reparador.
Um dia a curiosidade e inocência de menina, levou-me até
a morada do poeta, com coragem eu bati levemente na
porta, que se abriu feito um sorriso, com o olhar dele
assentindo minha presença, feito um abraço.
Sentados na varanda, contemplamos o final de tarde
daquele dia em que nos conhecemos.
- O que te trouxe aqui, menina?
- Vim descobrir do que é feita a sua poesia, pois quando
eu a ouço, meu dia se enche de alegria e meu coração se
acalma. – Respondi, sorrindo com os olhos.
Ele também sorriu com os olhos e depois com os lábios e
por fim, sorriu com palavras, dizendo-me:
- Menina, a poesia é feita de tudo que podes imaginar,
das coisas belas, até das feias, de tudo que nos toca a
alma, de tudo que nossas mãos não podem tocar; como as
asas dum pequeno pássaro sobrevoando o azul do teu
olhar.
A poesia é feita da cisma do poeta em dizer aquilo que
ele leva na alma, isso implica dizer muito com quase
nada.
Depois em silêncio, meu amigo revirou-se inquieto
buscando a paisagem ao nosso redor e me disse:
- Olhe naquela direção, lá onde o sol se deita, diga-me
o que vês?
- Vejo o sol se pondo, árvores, um bando de pássaros, as
montanhas, o rio e o céu...
- Pois bem, vou dizer-te o que vejo, desse modo, você
poderá sentir, não do que é feita a poesia, mas de como
ela nasce, mas eu não vou olhar para lá com os meus
olhos cansados e cegos, vou olhar com o coração do
menino de oito anos que mora em mim.
Depois de uma pequena pausa, com o olhar iluminado e com
ares de devoção, prosseguiu o amigo menino poeta:
- Vejo a noite caindo feito um abraço de Deus sobre as
montanhas, as nuvens recolhendo suas franjas brancas do
firmamento, apagando as luzes do céu para descansarem.
O pipilar entardecido dos pássaros avisa os anjos de que
Deus vai acordar. A lua é rua mais movimentada do céu,
até o menino Jesus costuma caçar cometas por lá. As
estrelas são flores que Nossa Senhora plantou no céu
para iluminar nossas noites.
Vejo as montanhas trocando carinhos com os ventos,
árvores cochichando verdes segredos de amar. Os pássaros
adormecendo seus cantos em velhos galhos feitos de
pousos adolescentes.
O vento morno que nos refresca a alma é o hálito fresco
de Deus quando ele reza.
O rio caminhando entre pedras segue feliz, pois sabe
aonde quer chegar. A poesia é feliz em ser triste,
caminha alucinada na alma dos poetas, nunca sabe em que
coração irá repousar.
cubro-me de seda
nas entrelinhas do verso
desnudando as duas faces
do poema
que habita em mim.
Isneda Weise
TORRE DE
PAPEL
Arar a palavra
Unir caracteres
No branco papel
Lavrar a palavra
Tecendo o idioma
Da torre Babel
A rara palavra
Na face da página
Qual rosto sem véu
Atar a palavra
Na torre escrita
Que sobe ao céu
Tchello d'Barros
LEVO
Levo este dia,
Tão meu,
De franjas bordadas
Pela luz da manhã.
Levo este vento,
Tão leve,
Que me veste
De silêncio e frescor.
Levo este sorriso,
Tão simples,
Que se abre em leque
E cumprimenta a luz.
Levo este olhar
De estrelas
Que passeia lua e vira galáxia
Quando a noite se faz esmeralda.
Levo este passo
Ritmado
Por caminhos de vento
Sem medo, sem pressa.
Levo esta palavra
Tão minha
Convite e ingresso
Para a poesia.
Maria de Lourdes Scottini Heiden
No alto da
árvore
O ninho se equilibrava
Poesia suspensa!
Maria de
Lourdes Scottini Heiden
POESIA
Hoje a poesia bateu à minha porta
Com um sorriso cativante
Um olhar contagiante
Pôs um verso em meu ser
E consigo me levou.
Cobri meu corpo de nuvens
Vesti meu olhar de estrelas
Alimentei-me de aromas e cores
E dela me tornei refém.
Em cada gota de chuva
Em cada pétala de flor
Achei um verso escondido
Clamando por meu amor.
Ah, poesia,
Sem ti não vivo um dia sequer.
Em tudo te vejo...
Em tudo te encontro...
Tu traduzes os meus desejos
E os meus sonhos de mulher.
Maria de Lourdes Scottini Heiden
Poesia
Que seja ela,
A poesia,
Firme como a árvore,
Embora estática,
Finca raízes,
Faz da seiva fruto
Doce cantar.
Todavia,
Que seja ela,
A poesia,
Como a água,
Que se move,
Corredeira abaixo,
Busca mar oceano,
Onde singram velas,
Horizontes sem fim!!!
Luiz
Eduardo Caminha
Fontes
Lua cheia,
Estrelas faíscam,
Sol nascente,
Poente eterno,
Fontes inspiram,
Respiram,
Poesias.
Luiz Eduardo Caminha
Sonhos
Estás louco, poeta?
Queres tu imaginar,
Que o imponderável
Acontece?
Sonha, sonha, oh! Poeta.
Ainda bem que dormes,
Melhor: existes.
E sonhas... poesias!
Luiz Eduardo Caminha