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Tchello
1)
Fale um pouco sobre a sua vida (onde nasceu, data de nascimento,
onde estudou e em que momento de sua vida entrou em contato com a
literatura/poesia/conto/crônica).
Tchello d’Barros: Nasci nos últimos
dias de uma primavera de 1967na idílica Palmares, comunidade
agrícola encravada no planalto catarinense, hoje é o bucólico
município chamado Brunópolis. Depois de morar em mais 10 cidades,
pousei em Blumenau em 1990, onde aprontei tanto quanto pude na área
cultural, até que em 2004, radiquei-me no Nordeste, onde meu QG tem
sido a alagoana cidade de Maceió, de onde sigo para minhas viagens
pelo Brasil e pelo mundo. Por conta dessa trajetória, estudei em
muitos lugares, mas nem vou citar pois não me ensinaram quase nada
sobre Literatura. Em Blumenau passei um tempo no Curso de Letras, na
Furb, mas não concluí por conta da mudança para Alagoas. Meu contato
com a literatura foi aos 7 anos, quando, no encerramento do ano
letivo declamei uma quadrinha, que meu avô me ensinou, e por ter
sido o primeiro aluno da sala a aprender a ler, ganhei uma coleção
de livros com os contos dos irmãos Grimm. Depois que li esses
livros, nunca mais parei de ler. Comecei a publicar apenas em 1993,
enviando poemas para concursos literários. De lá para cá são 6
livros solos publicados, todos de poesia, mas tenho também contos,
crônicas, artigos e muitos poemas publicados em mais de 30
coletâneas e antologias, por enquanto.
2) Descreva a sua atividade literária antes da SEB (livros,
exposições, artigos, declamações)
T. d’B.: Em
Blumenau, minhas principais atividades foram no Teatro e nas
Artes Visuais. Participei ativamente nos cursos, oficinas,
festivais e peças teatrais realizadas pelo NuTE – Núcleo de
Teatro e Escola, no Teatro Carlos Gomes, além de representar
a cidade em diversos festivais de teatro, com os grupos em
que participei. Como ator participei de uma dezena de peças
e outro tanto de performances. E também na Bluap –
Associação Blumenauense de Artes Plásticas, realizamos
diversas exposições coletivas e projetos culturais, onde
destaco o Arte na Indústria, uma mostra coletiva que
itinerou pelos refeitórios das principais empresas têxteis.
Nesse período iniciei também meu trabalho como curador em
artes visuais, tendo realizado algumas exposições coletivas
e individuais de artistas locais, nacionais e mesmo de
outros países. Na literatura sempre procurei participar do
que acontecia na cidade, colaborando com jornais culturais,
declamações em eventos, organização de exposições de Poesia
Visual, palestras e realização de oficinas literárias. Fui
um dos criadores da Feira do Livro de Blumenau, que foi um
sucesso, mas não passou da primeira edição por conta da
miopia cultural dos políticos que depois tomaram o poder na
cidade. Um projeto bacana foi o Viva Poesia, onde com o
poeta Marcelo Steil, palestramos e declamamos em 40 escolas
da cidade, publicando 4 livros com poemas dos alunos de
ensino fundamental, resultantes de um concurso que
promovemos. Na Fundação Cultural, incentivamos a criação da
Editora Cultura em Movimento, e representamos SC no
Congresso Brasileiro de Poesia, realizado em RS. Há muito
mais, mas não é o caso aqui de cansar os leitores com
relatórios. Melhor é citar Jorge Luís Borges: “Um livro é
uma forma de felicidade.”
3) Como ficou o seu trabalho de escritor/poeta, depois de
ingressar na SEB?
T. d’B.: Ficou
menor, ao menos no aspecto quantitativo. Pois logo que
fundamos a entidade, iniciamos a realização de toda uma
programação cultural para aproximar a produção literária
local com a comunidade regional. Isso tudo nos tomou um
tempo enorme, com muito planejamento e a própria execução
das ações. Mas é claro que no sentido qualitativo houve uma
evolução, pois as atividades da entidade permitiam uma
discussão crítica sobre a produção literária, tanto pessoal
quanto coletiva. E também as oficinas literárias que
promovemos trouxeram um pouco mais de conteúdo teórico e
exercícios práticos para que pudéssemos ampliar os limites
da Prosa e da Poesia praticada no Vale do Itajaí. E há que
se mencionar também o aspecto da divulgação. As ações
culturais da entidade levaram a produção escrita dos
associados para diversos públicos, em inúmeros eventos,
promoções e projetos culturais. E posso concluir essa
dizendo que ficou mais prazeroso, digamos assim, o processo
de compartilhamento da produção com os pares, pois além das
sessões de declamações que criamos para vários eventos na
cidade e região, criei também um sistema chamado Tertúlias
Literárias, com aprazíveis encontros sempre com um anfitrião
recebendo os associados para uma programação
gastro-etílica-poética, onde as declamações, leituras e
performances entravam noite adentro. Era como se a própria
literatura promovesse esse encontro entre amantes da
literatura. E não dá para não citar o Painel da Poesia
Emergente, que contava com exposições de poemas na
Biblioteca Municipal, e que depois mensalmente tinha
exposição de textos de algum novo autor, em 6 bibliotecas e
instituições culturais da região, simultaneamente.
4) Escreva algumas de suas lembranças da SEB (eventos,
reuniões, viagens, homenagens, entre outros
T. d’B.:
Rememoro com alegria a noite em que 16 pessoas fundaram a
Sociedade Escritores de Blumenau, assinando a ata de
fundação no auditório Edith Gaertner, na Fundação Cultural
de Blumenau. E minha memória seletiva pede que me lembre de
algumas ações criadas por mim, com o intuito de ampliar a
visibilidade da produção escrita dos associados. Uma delas
foi a criação do site da SEB, em cuja primeira versão
constava inclusive com o relatório anual das atividades.
Depois, convidei escritores de vários estados brasileiros
para se associarem, visando intercâmbios, onde contamos
inclusive com a participação de escritores de Portugal e
Inglaterra. Coordenei duas viagens onde levamos os poetas e
prosadores locais para as bienais do livro de Rio de Janeiro
e de São Paulo, com a intenção de que o pessoal tivesse um
contato maior com os profissionais do livro no Brasil.
Tentei inclusive que a cidade de Blumenau tivesse um estande
nessas bienais, divulgando seus autores, mas não obtive
sucesso nisso com os gestores culturais da época. Depois
criei um concurso literário que foi um sucesso, recebendo
inscrições de cerca de 1.600 textos, vindos de inúmeros
lugares do país e vários do exterior. Essa atividade
culminou na premiação dos participantes e na publicação da
coletânea Espelhos da Língua, integrando a programação do
sesquicentenário da cidade. Mas uma das atividades
principais foi sem dúvida a criação do Fórum Brasileiro de
Literatura (inicialmente nominado de Congresso Brasileiro de
Poesia) e que foi realizado pela FCB, com nossa participação
na coordenação. A imagem que me vem é a reunião da SEB onde
depois de aprovado pela plenária, decidimos apresentar o
projeto à Fundação Cultural de Blumenau. Importante destacar
que todas as ações acima mencionadas se viabilizaram pelo
empenho das equipes que voluntariamente se dedicaram à
realização desses projetos.
5) Como você pensa a SEB a longo prazo?
T. d’B.:
Penso numa
instituição com menos associados, mas com todos
desempenhando uma função, alguma atividade, algo que
beneficie a todos e que tenha como norte viabilizar
publicamente a produção dos autores. Penso numa entidade
onde será muito mais importante realizar um macro plano de
ação do que a nominata das pessoas que ocupam cargos da
chamada diretoria, tipo assim, não importa muito quem esteja
naquele ano na diretoria, importa que cumpram metas a longo
prazo, estabelecidas pelos associados. Penso numa associação
de classe que se profissionalize mais na questão de direitos
autorais e publicação. Penso num grupo de autores que se
conscientize de seus direitos como cidadão e saiba cobrar do
poder público os apoios institucionais para viabilização dos
projetos da entidade, uma entidade que aprenda a captar
recursos nas vias do marketing cultural e o sistema dos
editais públicos. Penso num coletivo que pense grande sem
ser megalomaníaco, que sonhe alto, mas dentro dos limites da
ética, que transcenda fronteiras e horizontes, mas antes
supere suas próprias limitações. Penso numa sociedade de
amantes da literatura que estejam mais preocupados em
desenvolver sua escrita qualitativamente do que em aparecer
na mídia ou entrar para a história. Penso mesmo numa
instituição fortalecida, onde os integrantes tenham a
coragem de se posicionar e contribuir para as políticas
públicas de cultura na região e no estado. Penso num
pesquisador do Século XXX, que chegue a conclusão de que a
cultura naquela região não teria sido a mesma coisa sem a
atuação da Sociedade Escritores de Blumenau.
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