Ilka Bosse


Biografia
Nascida em Presidente Getúlio-SC, de onde veio à Blumenau em 1966, e reside nesta cidade até a presente data. A poeta é Pedagoga, formada em duas habilitações, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – FURB. Atuou no Magistério Municipal de Blumenau, durante dez anos (1977/1987), quando abraçou com profissionalismo, a missão de ser empresária (comerciante), com sucesso até o presente.
A poeta é membro da SEB – Sociedade de Escritores Blumenau, desde 2003. Fez parte da diretoria da SEB, como Primeira Tesoureira na gestão 2005.
Em julho/2004 tomou posse, como Membro do Conselho Acadêmico do Clube dos Escritores Piracicaba - SP, ocupando a Cadeira Vitalícia (número 062), tendo como Madrinha Neida Wobeto, Escritora, Poeta, Presidente da SEB, e como Patrono Hildebrando Ferreira Santos.

Em 2005, foi indicada para ocupar a cadeira vitalícia número 054 - como Membro ACADEMICUS PRAECLARUS, da qual a posse foi marcada para dia 30/07/2005, Clube dos Escritores Piracicaba, Patrono Hildebrando Ferreira e Madrinha Neida Wobeto.
Em setembro de 2005, tomou posse na Academia de Letras Blumenauense, para ocupar uma Cadeira Vitalícia, por indicação do Escritor, Poeta, Dramaturgo, Membro da SEB e Membro da Academia de Letras Blumenauense, Padrinho (com muito orgulho) Ivo Hadlich. Participa de concursos literários, Tertúlias, Saraus Literários, Declamações em eventos públicos, feiras de livros...

 


Publicações

 

 

Publicação Individual

"O BAILAR ENTRE LETRAS"

 

   

Antologia Palavras Azuis

Coleção Prosa&Verso, Vol.3- 2004.

 

   


 

Um Rio de Letras – volume II – Poesia & Prosa da SEB 2005

 

  

Um Rio de Letras – volume III  Poesia & Prosa da SEB 2006

 

   

Histórias de Natal - SEB

Contos e Crônicas 2006

 

  

 


Textos

 

O SEU OLHAR



Seu olhar fala forte!

Brilhante, ardente, quente!

Olhos do âmago

Da vida, do mundo

Olhar serpente!

Olhar profundo!



Olhos que tanto desejo

Que beijo, que vejo

Olhos que amo

Que chamo, que clamo

Olhos da natureza

Da beleza, da certeza.



Olhar em seu olhar

É um revelar

Do meu delírio

Meu martírio

Meu implodir

Meu sorrir.



Olhos verdes, na cor

Que devoram a dor

Choram na solidão

Envolvem o coração.



Olhos poéticos

Serenos, cristalinos

Até felinos...

Olhos seus!

Aos quais me acendo

Me ascendo

Me prendo

Me rendo.



Olhos que me fazem

Aos seus pés inclinar

Reverenciar, endeusar.

Olhos pelos quais padeço

Pereço...

Mas jamais esqueço!

O SEU OLHAR.


Blumenau-01/01/2004.
Autoria: ILKA BOSSE

(Bailarina das Letras)






TRAPOS e FARRAPOS



A ramagem do silêncio, no frio

Disfarça os sons, até o assobio.

Grade enferrujada enramalhada

Na varanda esquecida, sombria, sem nada.



Na boca das ruelas bocejam sonhos em trapos,

Que já foram sonhos no subúrbio, agora são farrapos.

Brincam crianças no estúpido abandono,

Paupérima “realeza”, braços estendidos, sem dono.



Lágrima escapa ardente pela face triste

Clamando... Amor!

Na incerteza que este alimento existe.

Ronda sombra, foge lânguida memória.

Cavalga vazia...

A esperança de ter apenas um dia de glória.



Dorme-se desacordado ou acordado.

Dorme-se de qualquer jeito, desanimado.

Com o estômago em piruetas, embolando.

Durará esta dor da fome, até quando?



Ergue-se o tecer de alertas a todos os instantes,

Igual lona de circo, nas mãos dos governantes.

Quando desarmada não abriga, nem traz alento.

Realidade desmiolada...

Edificando um cárcere ambíguo,

Sem futuro, sem educação, sem sustendo.

Continuam os sonhos,

A fome, os trapos e farrapos.



Autoria: Ilka Bosse

(Bailarina das Letras)

Livro: "O BAILAR ENTRE LETRAS"







AINDA ONTEM



Ainda ontem...

Acariciava o tempo

Alimentava sonhos
Brincava de viver

Acreditava nas desenvolturas

Perdia tempo com loucuras

Desperdiçava conversação

Criava meu mundo de ilusões

Conquistando corações.



Ainda ontem...

Nas asas da loucura

Ultrapassei limites

Nada levando a sério

Nada era mistério

Projetos?

Escorriam pelo tempo

Gastando vida à toa

Romances?

Jogava-os ao vento

Fazendo ferver minha juventude,

Errar era uma virtude.



Ainda ontem...

Ultrapassava o futuro,

Nada podia me deter

Opinava, discordava,

Descartava o melhor,

Imobilizando sorrisos

Congelando o pior

Qual oásis no deserto

Via a tristeza chegar mais perto

Não havia medo do tédio

O perigo era assédio

Só queria ter o poder

De livremente viver.



Ainda ontem...

Já é hoje ou amanhã?

Sou jovem, sou mulher,

Sou mãe, avó ou anciã?

Pra trás ficou o tempo

Que acariciava

Induzia, precedia, convidava,

De mil maneiras

A brincar com a vida

A driblar o viver

Fazer acontecer.

Oxalá! Ficou presente,

O presente...

Desejo inevitável

Do querer refazer o passado

Neste instante ou quem sabe,

AINDA ONTEM!


Autoria: Ilka Bosse
(Bailarina das Letras)

Do Livro: “O BAILAR ENTRE LETRAS”