Isnelda Weise


Biografia

Isnelda Weise nasceu em Ibirama (SC) e atualmente vive em Blumenau (SC). Formada em Direito e em Letras, pela FURB, escreveu seus primeiros poemas ainda na infância, sendo que atualmente vem se dedicando ao estudo e práticas do soneto e do haicai.
É membro da Sociedade dos Escritores de Blumenau, da Sociedade dos Poetas Advogados de SC e participa como consulesa da entidade Poetas Del Mundo.

 

Blog da autora: http://agualento-isneldaweise.blogspot.com/

Endereço para contato: iweise.isnelda@gmail.com


Publicações

 

Tem textos publicados na antologia Prosa & Verso I, II, III e IV e na antologia Um Rio de Letras II e III. Participa do Projeto Pão e Poesia da FCB, publicando ainda em jornais, revistas e murais e também em sites da Internet e blogs.
Seu primeiro livro solo, AguAlento, nasceu dentro da Universidade com o texto que dá nome ao livro. A obra é uma coletânea de poemas breves, com os quais a poeta reinicia um ciclo de sua vida interrompido quando das cheias do rio Itajaí Açu, em 1983 , ciclo este que terá continuidade com a publicação de sonetos, haicais e tercetos, já em elaboração.

AguAlento é uma coletânea de poemas breves, com os quais Isnelda Weise reinicia um ciclo de sua vida, discorrendo basicamente sobre a água, seus cantos, encantos e também desencantos.
Simpatizante do pensamento segundo o qual “a poesia é uma ilha cercada de palavras por todos os lados”, diz a poeta que seu poema, ao lutar para fazer parte desta ilha, enamorou-se das palavras, e foi com elas procurar em águas límpidas a força e inspiração para sobreviver. É por este motivo que em seus versos: a vida, as fontes e a natureza são elementos quase sempre presentes e lembrados com apego e respeito.

NOVA LETRA Gráfica & Editora Setembro, 2004 Preço: R$ 15,00.

 

 

Um Rio de Letras III

Nova Letra  2006

 

 

 

Um Rio de Letras II
Nova Letra 2005

 

Projeto Pão e Poesia III

Álbum de Poemas


                    

Coleção Prosa e Verso Volumes I, II e III e IV

 


 

Textos

 


Água de Março


Quando em cascata se solta
Água é qual salto sem rede
Vida que nem sempre volta
Queda a fartar quem tem sede.

Água é anistia de pecado
Córrego a irrigar nossa alma
Quando o coração extenuado
Pede o frescor de água calma.

Água de março é cacimba
Riacho cantante na forma
De oásis a sonhar fonte infinda.

E acima da fugaz sobrevida
Prossegue entre pedras, contorna
Lavando a mão que a trucida.

Isnelda Weise
 

 

 

 

Ser Poeta

Ser poeta é caminhar por trilhas rasas
Contra vento mais ameno ou chuva forte
É saber que muito além de todo norte
No infinito da beleza pairam asas.

É cantar o ausente lar à luz do agora
O advento de outro sonho feito espera
Deleitar-se com a imagem da quimera
Ao ver todas as certezas indo embora.

Ser poeta é brindar o universo
Com a canção e alforria de um só poema
É aninhar-se no conforto da anistia.

Para então beber da taça de seu verso
Ante o encanto que desfaz qualquer dilema
O imortal e doce néctar da poesia!


Isnelda Weise

 

 


 

HAICAIS – Isnelda Weise



com arte, artesã
sobre mantas coloridas
acolchoa estrelas.




a mão operária
com tenros fios de algodão
tece o amanhã.




tic tac, burburinho
na lide do antigo tear
(entre) laços da vida.






fio por fio, cosendo
nas asas do poema
veste vira verso.




atrevido gato
curte a brisa no alpendre
namorando a noite.





em tardes de outono
sobre o córrego um tapete
-só folhas caídas.




entre tons dourados
outono colore o campo-
com espigas maduras.




mandioca e ração:
celeiro cheio estoca
(en) cantos do outono.



vagarosamente
amor na hora de verão-
só o tempo corre.



sobre o calçadão
hora de verão estende
mesas e cadeiras.



na morna manhã
gira o girassol a flor
preguiçosamente.


tapete amarelo
girassol ao sol reluz
no campo dourado.


paira sobre o branco
das azaléias floridas
a paz de um olhar.