Izabella Pavesi


Biografia
Izabella Pavesi é catarinense de Botuverá.
Autora do romance ‘O Último Gerente’, lançado em 2004, pela Editora Nova Letra – Blumenau/SC, participou como Co-Autora de diversas Antologias.
Membro de Poetas del Mondo, com sede no Chile, e W.P.S. – World Poets Society, com sede na Grécia.
Recebeu em dezembo/2006 a ‘COMENDA das LETRAS CATARINENSES’. Sócia da SEB- Sociedade Escritores de Blumenau/SC, tem seus trabalhos expostos no seu próprio site: www.izabellapavesi.net.


Publicações

 

IIzabel Pavesi é autora do Livro ‘O ÚLTIMO GERENTE’, editado pela Gráfica e Editora Nova Letra de Blumenau, 156 pgs.e lançado em 2004.

 

"romance de ficção: Um gerente ambicioso.... um banco da zona sul SP... mulheres solitárias... a procura de paixões, muita aventura e deliciosa leitura.
LEIAM , VALE A PENA!
um beijo
Izabel.

 

 

Antologia

 

Um Rio de Letras III  Nova Letra  2006

 

Álbum de Poemas

 

Projeto Pão e Poesia III

 


Textos

 

ASSOBIO DOS VENTOS


Um ventão uiva na janela
Perpassa as fendas...
Carrega as folhas,
Assobia e arrepia.
Levanta a sombrinha e as saias.
Encrespa as águas do lago
Deslizam galhos ladeira abaixo...
Meus pés que nada os esquenta
Sentem o gelo que chegou à terra.
Uma brisa me avisa: lá fora, zero grau.

No frio chão de pedra
Seu Zé pôs sua cama:
Cobertor, gorro e meias e,
Claro!...papelão!
Um monte de jornais o encobre
E a pinga o deixa aquecido.
Um pedaço de lã ele juntou,
Uma lata de moedinhas, e
Um pires com farinha...
Sem saber se os seus um dia o acharão.

Um açoite corta o ar...
Vergam-se os bambus.
Temo que tudo se estilhace.
Meu ser se inquieta...
Me encho de letrinhas e livros.
Vou até a avenida e volto.
A garoa me desencoraja...
Aqueço-me com chás e bules de café,
Faço uma sopa quente de cebola e alho
E enroscada em echarpes me encolho no sofá.

Renovo o apelo,
Tiritando ao vento,
Vamos pro abrigo, seu Zé?
Lá dentro tem pão quentinho,
Janelas, teto e umas luzinhas.
Também tem seus companheiros,
Dos túneis, das avenidas,
Dos canteiros, das calçadas.
Dona, deixa eu com os meus trecos,
Madama,...lá não tem pinga, não!



"a poesia 'Assobio dos Ventos' está no livro 'O Último Gerente', e foi dedicada a um pobre mendigo." (nota da autora)

 

 

 

 


AMOR



Meu coração pulula, acelerado e,

Solto. O amor surgiu! Formosura.

De mansinho achegou-se, loucura.

Com passos miudinhos, e beijos à beça.



Uma sonora alegre voz, aveludada

Preencheu todo o espaço, alegrou

Todo meu ego, e meu ser vaporoso.

Minha alma voa, estrela luminosa.



Como beija-flor sorvendo néctares, tua carícia.

Sinto a vida, pulsando multicolorida

Brilhos e afagos. Me acolhe, teu abraço.

Teu beijo me acalanta, meu tesouro.



Reteso esse pulsar, e saltitante

Revejo teu olhar faiscante.

Pra que ensaiar, decodificar,

Percepções, razões, sensações?...



Se a felicidade, o bem maior,

Que vale a pena viver, e se perder,

É somente amar e ser amada.

É amar você, e pra você viver!


 

 




ALIENAÇÃO



Luzes

Sussuros

Zumbidos

Gritos

Risos.

Turbilhão de vozes

ecoam no infinito.

Um ser vagueia ausente,

tonto, perdido.

Um tilintar sem fim.

Meus olhos procuram

No infinito mundo...

Incendeiam, lhe querem

buscam, clareiam.

Perpassam olhares sombrios,

vazios, ternos, bêbados,

azuis, verdes, vermelhos e negros.

Um ritmo forte inicia e,

um ribombar de bumbos

enfurece e enlouquece.

Robôs gesticulam...

Acho que vou explodir;

Ou me dividir,

Meio pra lá, meio pra cá.

Vou lhe rever...

No fundo do copo,

Nas gotas perdidas,

Nas sombras coloridas,

Nos corpos semicolados,

Na loucura dos desvairados,

Na faces crispadas

de suor pingadas;

Nas fumaças pelos ares,

Nas vozes atrozes,

Nos abraços estranhos,

Nos vultos surdos,

Nos rostos zonzos,

Nos sons.

Perdi-me na multidão