Luis Carlos Binotto Leal


Biografia

Luis Carlos Binotto Leal, brasileiro, graduado em Academic Writing pela Universidade de Harvard, escritor bilíngue, Professor de idiomas, criador do gênero literário que reúne conhecimento e aventura de forma inovadora é o autor de FEMALE e CLUE, que
entraram na lista de bestsellers do New York Times. Atualmente residindo no Brasil, o escritor utiliza-se da palavra como definição de
intenção de seus personagens e através de textos ricamente imaginativos, faz ser presença obrigatória a interação dos cenários de forma ininterrupta, mesclando, em suas obras, humor, suspense e mistério.
Obras em português como CONTOS e A PROFESSORA DO CONGRESSO trazem a realidade inegável do mundo que vivemos á frente da visão do leitor fazendo-o desejar partilhar os momentos vividos pelos personagens fictícios no momento em que os livros
estão dispostos na livraria e tão logo coloque olhos em sua primeira página, traga-o para uma aventura única, na qual ele, o leitor, transfigurasse em personagem, passando a ser o verdadeiro atuante.

 


Publicações

 


Textos

 

FRAGMENTOS DO ROMANCE


“...Finalmente, nos últimos segundos, do prazo por mim estipulado, alguma coisa
aconteceu: abriu-se uma porta, á minha direita, e apareceu um homem baixo, vestindo
terno moderno, com um par de óculos sobre um nariz magro e comprido. Ele passeou o
olhar, com exceção de minha presença insistente, pelo salão vazio.
O silêncio me cercou. O contato chegara.
Em seguida, o homem virou-se para o lado onde eu estava, como que para dirigir-me
um sinal ou palavra, mas no segundo seguinte pareceu mudar de idéia e parou, deixando
um sorriso solene e fixo espalhar-se por sua face.”
“...Pisquei para ver se realmente estava acordada e para ter a certeza de que realmente
continuava naquele lugar.
E a resposta, travestida na forma de um homem sombrio, foi um sim inquestionável.
Um tremor, muito leve, apareceu na mão do presidente, no momento em que ele serviu
o café.
No silêncio do gabinete, ele mexeu e remexeu na xícara, como se estivesse esperando
encontrar uma mensagem escondida por debaixo do pires.
De vez em quando, sempre em muda atitude, erguia a mão magra para o crucifixo
antigo que mantinha numa corrente de ouro ao redor do pescoço.
Exceto por este gesto, seu corpo permanecia imóvel.
Seu rosto estava tenso e uma veia saltou em seu pescoço quando finalmente me
encarou.
Peguei o bule e voltei a encher minha xícara.
“O que você decidiu?”; ele perguntou, em tom de voz ansioso
Instintivamente respondi:
“Sobre o quê?”
Ele se contorceu e levou a mão ao crucifixo, como se estivesse pedindo ajuda divina,
antes de falar.
“Sobre o assunto que conversamos algumas noites passadas”; ele falou, com falsa
paciência
Eu me mexi na cadeira e pensando no que dizer, notei que a fumaça do café sumira mais
cedo esta noite.
Sorri, mas não vi meu sorriso ser retribuido.
Embaraçada, aprumei a espinha, joguei os ombros para trás, ergui a cabeça o máximo
que pude e declarei, corajosamente:””
“...Assim, rapidamente, como se estivessen sendo espetada por por canetas pontiagudas
que me apressavam, executei o ritual de transferir o documento de minha mão para
dentro da calcinha, caminhei furtivamente até a porta e tomando o cuidado de não
produzir nenhum barulho, cuidadosamente, bem de leve, girei a maçaneta, mas a porta
não abriu.
“Shit!”; praguejei e forcei a maçaneta novamente
Por um momento ela titubeou, mas não cedeu.
“Impossivel!”; sussurei, entre dentes, enquanto todos os medos, apressadamente
pareciam tomar posição dentro de minha mente, enregelando meus movimentos
Os segundos se arrastavam, velozmente.
Quebrando a inesperada imobilidade de que fora acometida, forcei um talvez, último
movimento circular com a mão, ao mesmo tempo em que a voz de professora,
desesperadamente, gritava dentro de minha cabeça:
“Abre! Abre! Abre!”
E a porta...