Mural EFGH volta

 

F

 

 

 

Posse

 

Fabiana Lange


Tua boca tão próxima à minha,
Teu corpo tão junto ao meu,
Torna-me tua rainha,
Que meu amor é maior que eu.

A música das batidas do teu coração
É o único som que desejo ouvir,
O que minha boca diz, mesmo calada,
Meus olhos estão eternamente a repetir.

A alegria de te amar me invadiu
Dominou, fez que eu fosse tua,
Esta felicidade que o coração jamais sentiu
A cada dia ainda mais se perpetua.

És meu amor, és meu tudo,
És o caminho que devo trilhar.
Entrego-te o maior amor do mundo,
E meu coração para você guardar.

 

 

 

 

Os Estudantes...

 

Fabiana Lange


Pelos corredores sentados
Com o mau humor matinal
Os alunos uniformizados
Aguardam pelo sinal

Nas aulas mantêm atenção
Mas conversam por bilhetinhos
Sobre assuntos do coração
Sempre há burburinhos!

Soa o sinal do recreio
E alegria agora é geral
O pátio agora está cheio
De um sentimento especial

Voltam a estudar
Com empenho e dedicação
A ler ou a calcular
Vão construindo a educação

E quando a manhã termina
O dever está cumprido,
Nessa escola da vida
O que se aprende não é esquecido.


 

 

 

 

Tua Mulher

 


Fabiana Lange


Quero ser tua mulher
Não somente nesta noite,
Mas sim em todo instante,
Não importa como, a quero ser.

Quero ser tua sensação,
Aninhar-me em teu abraço,
Nossos corpos como um laço
Formando um coração.

Ser tua mulher,
Missão que quero cumprir,
Desejo que queima em mim,
Motivo que me faz sorrir.

Ao acordar todos os dias
Cobrir-te de beijos e carinhos,
Sentir que não estamos mais sozinhos,
Irradiarmos um sol de alegria.

Serei tua eterna amada,
Ser tua mulher, garota, menina,
Ser tua canção mais linda,
Tua insônia na madrugada.

Meu desejo é assim, latente,
Possível de se ver no olhar,
Minha vida se resume em te amar,
E ser tua mulher eternamente.

 

 

 

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SOBERBA

Fátima Venutti


Sob o manto fétido da soberba,
O homem desenha os planos de sua vida.
Traços e rabiscos tolos vestem-se de orgulho,
Línguas e letras permeiam mídias serviçais.

Mas o homem escreve e delira, dia após dia,
Seu teatro infesto, verme e atemporal.
Pelas guias e esgotos centrais enfim
Os olhos inventam e encenam peças.
O olhar acima das mentes se entrega:
“Atire a primeira pedra
Aquele que jamais fez de um único ato
Seu triunfo respirado de pecados capitais”.

Ao centro da praça visceral,
Um pombo arqueia seu peito e negocia
Um discurso na vitrine dos touros surreais.

Dia seguinte o homem vigia
A entrega de seu espelho matinal.
Busca nas páginas descrentes do noticiário
Seu retrato em preto-e-branco, páginas centrais,
Rasga-se em risos e mostra seus ouros todos
Desdenha um rival e infla seu peito animal.
Fim ignóbil, soberbo e prostrado
O homem crava-se, disforme e cego
Na lápide dos grandes vermes sociais.

 

 

 

PROCISSÃO DE FÉ
 

Fátima Venutti

Sobre o prato vazio,
Insana fome debruça

Meus pés descalços
Sangram paredes
No estômago.
Traçado Côncavo
No rilho da miséria.

Um ronco corrói
Dignidade.
O ácido brota e evapora
No vácuo do olhar.
O veneno da fome
Saliva sem piedade
Sobre o prato vazio

A fome geme
Maculando o pão,
Da palavra,
Da fala,
Do perdão
De todos nós.
Esquecido na mesa,
Pós vento do tempo
Do prato, hoje o pó.
Da fome, o pó do homem.
Da insanidade,
A liturgia da palavra.


 

 

 


VESTIDO AZUL

Fátima Venutti


O corpo que chama
Declama na áurea a alma...
Sussurros de bel-prazer.

As vestes que vestem
Revestem os desejos,
Investem em despidos delírios
Insanos de mútuos desejos.

Na malha que baila,
Ao vento desfila o azul que instiga,
Confundem-se as vozes
Que clamam um último beijo,
O enlace do abraço infinito.

Partida.
Investe, e implora, sôfrega,
Um único respiro de bocas.
O olhar permuta com as palavras
E os perfumes enroscam-se
Nas tranças e tramas de um passado.

A mulher,
Foi-se com os respingos da chuva.
Na madrugada que adentra,
Pela estrada do regresso,
O vestido azul ainda baila
Na mente devassa do amante.


 



 

PÓS MORTEM
 

Fátima Venutti



Seladas falas
De sobras veladas
Em cruzes suspensas
Incógnitas
Rezas em coro
Diversas

Valas cobertas
De corpos esquecidos
Em manhãs tempestivas
Incógnitas
Solidão em versículos
Completa

Lamacentos retratos
De memórias perdidas
Em funerais submersos
Incógnitas
Paisagens em desalinho
Transformadas

Súbita avalanche
De lágrimas castigadas
Em veias extirpadas
Incógnitas
Soldados em procissão
Retalhada

Metáforas vidradas
De pães amanhecidos
Em comunhão indesejada
Incógnitas
Fome de sonhos
Destilada

Abrigos repentinos
De camas dotadas
Em clausuras engolidas
Incógnitas
Lápides sangrando
Ignoradas

Verdades incompletas
De papéis amarelados
Em suplícios abafados
Incógnitas
Pretérito dos verbos
Améns.



 



 

 

 

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O galope do tempo.

 

Felipe Gruetzmacher

Fluxo inexorável.
Corrompe sentimento.
Ler, coisa adorável.
Ler, hábito necessário,
hábito perdido.
passa ano, mês e aniversário.
Já envelhecido,
idoso não vê a graça.
Passa, tudo passa.
Dizem à juventude
que ler é virtude.
Descobre literatura.
Jovem aprimora cultura.
E quanto ao idoso?
Esquece do quão saboroso
pode ser um livro, poema ou conto.
Esse é o ponto.
A arte precisa descobrir a geração passada.
Viver sem arte, desiludido.
Existência cansada.
Ler, hábito reaprendido.
Viver readquirido.
 

 

 

 

 

 

 

 

Quando digo que a mata é um labirinto

Felipe Gruetzmacher

Eu não minto
Caçador, lenhador
Ou qualquer invasor
Podem ficar presos naquelas trilhas.
Mesmo percorrendo milhas,
Jamais acharão a saída.
Ficarão o resto da vida.
Tudo culpa do Curupira.
Conhece essa lenda caipira?
Curupira, um anão de cabelos de fogo
Que engana com seu jogo.
Tem pés virados para trás.
Os tolos vão atrás
De suas falsas pegadas
Durante uma caçada.
Cria ilusão
Para desviar da direção.
Seu assobio engana e orienta
O caçador que se movimenta
Para o lugar errado.
Mas não faz isso porque é malvado.
Faz para proteger a natureza, o ambiente.
Faz o bem, somente.
Ataca para proteger na época de procriação,
Quando os seres estão em amamentação
Ou para impedir o corte de lenha desnecessário.
Trazer um equilíbrio necessário
É a missão desse nosso protetor.
O planeta precisa de mais valor.



 

Revisão de Textos: Jairo Martins