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R

 

LAR

 

Ricardo Brandes



Palavra pura e bela...
Sonho futuro
Da casa,
Parede e janela...

O coração pulsante
Do Homem e da Mulher
E isso é tudo
Do pouco que a gente quer!
 

 

 

 

INTERMITÊNCIA

 

Ricardo Brandes


Como não se agarrar
Àquilo que se faz tão bem?
Como não se apaixonar
Pelo que ninguém mais tem?

Dentro da mais pura sorte
Atrelada à intermitência
Leva a vida assim tão forte
Com toda tua paciência

És estrela em teu meio
Que ilumina o universo
Luze bela, no incendeio
Do poema, prosa e verso

Luta, briga, não desiste
Leva firme tua bandeira
A tua luz ninguém resiste
És poeta, uma guerreira

Se tu sofres na indecência
De um mundo desigual
Segue firme na essência
Do teu sonho surreal

Leva firme a intermitência
De o universo iluminar
És estrela da sapiência
Não desista, faz sonhar!


 

 


TEMPO DE AMAR
(Para Fabi...)

 

Ricardo Brandes


Faça chuva
Ou faça sol
Eu te amo
Em Fa Bemol

 

 

 

 

 

 

 

ODE  À PRAINHA
 

Rogéria Fernandes Albrecht


Maré tão baixa...
À flor d’areia cinza, lamosa... Vê-se berbigões.
Cá da janela, no alto da encosta,
quiçá banhar-se ao luar,
pés pisando mexilhões.
Colar turquesa duplicando espelho d’água,
negro manto derramado na baía,
adentra recanto, recorta a Prainha.



 

ADENTRALMA
(composição in concertino)

 

Rogéria Fernandes Albrecht


Movimento n. 1:

Fez-se enluaradamente cheia madrugada.
Peço, recebo, troco, proponho, sugo, retenho e declaro,
num allegro: gozo n. 1 (introitum).
Volátil corpo que adentralma: indestinguíveis.
Abstrato e concreto, ao pé da letra,
tu “ao pé de mim” (machadianamente), suplicas:
“sim querida, beija-me o corpo, suga-me a alma”.

Movimento n. 2:

Posto e feito, em adágio deleite,
“porque são melhores as belezas dos instantes”.

Movimento n. 3

Verde leito, andante movimento, qual “lampião é lua cheia”,
retratada em ascenção, à exaustão.

Movimento n. 4

Ato: voraz, veloz, veraz, maestoso.
Entre enérgico e moderato, seguimos num allegro.
Maestro e orquestra, andante cantabile, apoteose!

Depoimento em pós momentum, acredite-se, cabe ainda:

Bentinho em casmurrices
aliado à fantasia
busca n’A Mais Bela Poesia
toda Ânsia de amar
sob a luz de Eliaquim
ao sabor de quentes versos
quais faria o Poetinha
vibram cordas, violinos
em batuta à Paganini
sinfonia tua e minha,
sonora trilha de Chopin


 


FULGOR

Rogéria Fernandes Albrecht
 


Da janela onde me banho,
por dentre verde cortinado,
fulgor em tez morena,
qual veludo enluarado.



 

 

 

S

 

 

Ando pedra
Caixa presa
Atormentada
Prateleira
Golpe,
Crueza

Algo morre aqui.


Suzana Sedrez





Rodopiou
Tua fala
Em mim
Toda noite.

Não contava
Os avessos.


Suzana Sedrez






Roda
Trama
Dança
Do altar,
Vozes da
Sombra,
Jaula
De cimento
Quebrado.


Suzana Sedrez




 

T

 

 

 

PLENITUDE

 

Tânia Maria da Silva
 

 

O fim e o começo
Dualidade num pretenso tempo.
Tempo que vem
Tempo que vai...

É o fim ou o começo?
O sonho ou o real?
Ser ou não ser
A escuridão, o deserto?
Ser apenas uma luz
Iluminando o caminho
Daqueles que chegam,
Daqueles que partem .
Ser luz, luminosidade
Clareza e claridade.
Ser medo e ser coragem
Ser tudo, ser nada.
Ter a alma limpa,
A vida refeita.
Não ser o fim...
Mas, o Recomeço!








II

TRIBUTO AO AMIGO

Tânia Maria da Silva


Agora que a saudade
Fez de mim sua prisioneira
Abro o baú das lembranças
E encontro nele a criança
Que conheci um dia.

Criança!
Menina e mulher!
Com medo de crescer,
Com medo de amar,
Com medo de sofrer.

Viveu para se doar.
Só desejou ter amigos
Amigos verdadeiros
E com eles viver a vida.

Sem alardes, sem motivo,
Saiu de cena de mansinho.
Partiu!
E para não ver os amigos
À sua falta chorar
Partiu sem a ninguém avisar,

Foi fazer uma viagem?
Não!
Foi ser feliz em outro Lugar.
 


 




III

SOU POETA

 

Tânia Maria da Silva


Escrevo!
Num ritmo monótono,
Cansado e sonolento.
Sentindo as pálpebras pesadas,
Cochilo sobre as palavras
Que guardo dentro do peito.
E sem cuidado com a rigorosa
Métrica que o poema exige,
Tento escrever um poema
Sem preocupação com a rima.
Versos soltos,
Versos simples,
Versos livres.
Versos que falem de amores,
Presente e passados.
Não riam de mim, falsos profetas,
Ainda que não me entendam
Ou eu pareça ser triste.
Escrevo o que dentro de mim existe.
Não sou alguém tão forte,
Sou apenas, mais um poeta.


 

 

 

 

 

 

QUANDO ANDO REZANDO

 

Tchello d'Barros


Se ano após ano
Eu meço essa sina
Que peço na reza
E somo ao meu sonho

Se assim me assino
Me assumo insano
Se sigo insone
Nem me assombro

Pois ano após ano
Me somo rezando
Me uno andando
Se ando e me sumo






SÓ DÁ DÓ DE SI

 

Tchello d'Barros


Acordar sem sono
Numa corda bamba
Ser na corda um nó

Acordar em sina
Numa cor de sonho
Sem ser mais que pó

Acordar insano
Num acorde o tom
Dura nota dó

Acordar insone
Som de nota pura
A dor de ser só







PARAQUEDAS PARA QUÊ?

 

Tchello d'Barros


O céu nesse salto
Um risco no azul
E um sol sob o sul
Ao léu lá no alto

Acima da nuvem
Na bruma do vento
Num voo o alento
As asas se curvam

Acima do monte
O mundo a girar
Por todos os lados
Linhas do horizonte

O voo se finda
Apesar de breve
A alma é tão leve
Que voa ainda




 

 

 

 

CELEBRAÇÃO À MEMÓRIA

 

Terezinha Manczak

Porão de caças múltiplas
Cornucópia fóssil, crispada e simultânea.

Pirâmide invertida de azevinhos.
Alicerce, escama e fluxo.

Fronteiras de mármore,
Impostoras de epiderme árida.

Avalanche de brechas,
pedra e cristal.

Armário de raridades,
bigorna e estribo.

Pássaro de fibra casta,
Algodão, seda e linho.

Canário proscrito, de álgido canto.
Façanha de primevo e estranho claustro.


 

 

 


Coluna de mar.
Ilusão de arquitetura,
entre arranha-céus.


Terezinha Manczak




Minha pele antiga,
despe-se da noite breve -
dia que amanhece.
 

Terezinha Manczak