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Rubens Bachmann


Biografia

RUBENS BACHMANN, nascido em Blumenau, em 19.10.1944. Casado com Crista (nascida Erzinger), pai de Mickhael Erik Alexander e Francielle Cristine. Bancário iniciou no Banco Inco, depois no Nossobanco e aposentou no Banco do Brasil tendo sido o primeiro gerente da Ag. Vila Nova, após trabalhar em agências de todas as regiões do país. Perito Judicial mereceu da Câmara de Vereadores de Blumenau, Moção por serviços de grafoscopia e documentoscopia prestados por mais de 20 anos. Diplomado pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra - ADESG. Foi membro do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pomerode (SC). É presidente da Sociedade Amigos do Ribeirão Souto - GUTE KAMERADEN. Foi Presidente do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, de Pomerode. Bacharel em Direito e pós graduado em História. Escreve desde 1963 (Jornal da UBE-União Blumenauense de Estudantes) e tem artigos publicados no Jonral de Santa Catarina, A Notícia, Jornal da Noite, Vóz da Razão, A Cidade, Pomeroderzeitung e outros. Participou dos livros UM RIO DE LETRAS III e HISTORIAS DE NATAL. Foi selecionado com seu artigo "Meu Tipo Inesquecível" (homenagem à D. Edith Kormann) para integrar novo lançamento da SEB, ainda em 2007. É Membro Titular do Conselho Acadêmico do Clube dos Escritores de Piracicaba (SP), cadeira n°. 55
 

 


Publicações

 

         Participações em Antologias:

 

 

Histórias de Natal - SEB

Contos e Crônicas 2006

 

Um Rio de Letras III

Nova Letra

 2006

 

 


Textos

 

TIEF IN DEM BÖHMERWALD
 

Veja outros textos de Rubesn Bachmann em http://www.stmt.com.br/opiniao.htm


Também do Império Austro Húngaro (Böhmen, Öestreich und Hungarn) do Imperador Franz Joseph e da imperatriz Elizabeth (Sissi) vieram imigrantes que se fixaram na nossa região, em busca de um lugar onde fosse possível construir um futuro melhor para toda a família. Esses bravos “alemães” lá do BÖHMERWALD trouxeram consigo uma linda canção de domínio popular que falava na terra natal. Diz ela que já fazia muito tempo que a haviam deixado mas que, a lembrança sempre estava presente fazendo com que nunca esquecessem a pátria. Lá ficara o seu bercinho/balanço. Na linda e verde mata. Nos seus versos, pedia a Deus que, pelo menos uma vez ainda, permitisse rever a terra natal. A bela mata verde. Os vales. Depois, voltaria e descansaria em paz. Pedia também, a volta dos velhos bons tempos da infância onde brincava e vivia toda a felicidade. Onde na casa paterna ficava no prado sobre a grama e mirava até o horizonte a vastidão da pátria. Lá na linda e verde BÖHMERWALD! Essa gente aqui chegou por volta de 1876 quando a colônia do Dr. Hermann já festejara seus 25 anos. Eram como aqueles que os antecederam, homens da terra (colonos) mas também, artífices que fabricavam charutos, chinelos, móveis, ferramentas, doces, etc. Também, cansados de guerras, soldados desempregados após a unificação do Império Alemão, buscaram aqui no nosso verde vale verde do verde vale do Vale verde do Itajai (!) a terra prometida pelo Dr. Hermann como o lugar onde os povos de língua alemã haveriam de encontrar um ambiente onde poderiam construir um futuro digno para si e para os seus descendentes. Em paz! Com certeza a mata e os morros em que foram alojados nas regiões do Garcia e da Velha que hoje são limites com Indaial ou se encontram dentro desse município não era nem semelhante à verde mata deixada lá na distante Europa. Mas, foi aqui que construíram ou ajudaram a construir parte deste país que é conhecida e respeitada por todos. Aqui geraram filhos, netos e bisnetos que orgulhosamente lhes rendem uma homenagem toda especial por tudo que fizeram, principalmente nas condições difíceis da segunda metade do século 19, durante a primeira grande guerra e depois, na época da nacionalização e do segundo conflito mundial. Sabendo resignar-se tiveram que calar na voz a língua pátria e queimar os livros escritos em alemão. Ninguém porém, conseguiu remover de suas memórias TIEF IND DEM BOHMERWALD!

RUBENS BACHMANN
Jornalista – RG 01650 – JP – DRT/SC
Soutosbach – Pomerode (SC)
 

 

 

POMERODE GAÚCHA

A nossa cidade “mais alemã do Brasil” está se transformando na sede de mais alguns CTGs e por aqui já se toma mais chimarão, temos lojas especializadas em trajes típicos gaúchos e apetrechos para eqüinos e nas boas casas do ramo, os CDs de todos os que cantam a querência querida, abundam nas prateleiras. Os cursos de dança gaúcha já chegaram também. Já se avistam “cabañas” e, pasmem, no desfile de 7 de setembro as prendas estavam presentes em número mais elevado que as alemãzinhas de traje típico. Havia tropeiros e cavalos. Típicos alemães muito poucos. Nada contra a boa gente do Rio Grande do Sul que tantas glórias já deu a este país e que viu nascer o grande estadista do século passado, Getúlio Vargas, presidente de todos os brasileiros. Nada contra o rico folclore gaúcho (o único genuinamente brasileiro) nem contra as poesias e os cantos do glorioso povo dos pampas. Nada contra os brasileiros gaúchos que levaram os CTGs a todos os estados do Brasil e neles plantaram o amor e o orgulho por esta pátria, combatendo assim, a influência americana ou de qualquer outra cultura. Do jeito que a coisa anda, se a boa gente germânica não sacudir a poeira e resolver preservar a cultura dos seus antepassados, em breve, Pomerode será “a cidade mais gaúcha de Santa Catarina”. Pode? Pois é! Enquanto cada paranaense descendente de gaúchos que por aqui aportou traz consigo o culto às suas origens, os “alemães” daqui, parece que esqueceram que um dia por aqui, pisaram aqueles valentes pomeranos que deixaram as margens do Rio Oder, lá perto do mar Báltico no norte da Europa, cruzaram o Atlântico e se enfiaram na mata virgem subindo o Rio do Testo para aqui construir um lugar onde poderiam viver em paz, cultivando seus costumes e tradições. Se algum dos pioneiros ressuscitasse de seu túmulo e desse um passeio numa festa de rei, por certo não entenderia nada dos vanerões, das músicas de novela ou das sertanejas que hoje se ouvem e se tocam nos Clubes de Caça e Tiro. Pior, não sei o que faria diante de uma “puxada” em que os seus descendentes hoje submetem animais (cavalos) a esforço extremo em disputa de um mísero troféu, contrariando todo a tradição alemã de respeito e amor pelos companheiros de trabalho do dia a dia. Gente é preciso fazer alguma coisa. Ninguém precisa excluir os gaúchos ou quem quer que seja. Eu adoraria participar de uma Festa Farroupilha em setembro aqui em Pomerode. Tomar um vinho, com polenta e raditche ou formaio com salame, também. E viva a Itália! Tudo bem. Mas, é preciso que os teuto-brasileiros acordem. Está na hora de alguém colocar na praça uma loja de trajes típicos e apetrechos alemães. Quem sabe se organiza um curso de dança alemã. O futuro prefeito, ao contrário da administração atual, poderá incentivar a criação de mais grupos folclóricos e quem sabe, adotar outras medidas de preservação da cultura daqueles a quem todos devemos o que Pomerode é hoje. Não bastam manifestações isoladas e elitisadas (Lustiges Pomerode) em que “donos” da tradição ditam as prioridades. É preciso popularizar os corais, ter pelo menos um em cada bairro e as bandas e fanfarras devem se multiplicar também. Não basta ser “alemão brasileiro” em alguns dias de janeiro na Pommernfest. É preciso ser sempre teuto-brasileiro para continuar sendo “a cidade mais alemã do Brasil!”
Rubens Bachmann – Jornalista – RG 01650-JP-DRT/SC





DEUTSCHLAND ÜBER ALLES
(DEUTSCHLAND-LIED ou DAS LIED DER DEUTCHEN)
(Hino Nacional Alemão).


O século 19 marcou a história da Alemanha com o lema dos seus exércitos imperiais “GOTT MIT UNS” (Deus está Conosco) que se tornou um grito de guerra. Nas fivelas das túnicas imperiais estava este lema, estampado em metal. Também nas fivelas dos uniformes do III Reich, até o final da Segunda Grande Guerra Mundial. “GOTT MIT UNS” constava do estandarte do Kaiser Alemão, em 1870. Todo alemão conhece o lema e grito de guerra. Ainda no século 19, AUGUST HEINRICH HOFFMANN VON FALLERSLEBEN (1798/1874) escreveu em 1841, uma peça de amor à terra natal chamada “DEUTSCLAND ÜBER ALLES”. Esse hino de amor à pátria, recebeu a música que JOSEPH HAYDN destinara em 1797 ao Hino do Imperador da Áustria e foi oficialmente adotado pela Alemanha, como seu Hino Nacional, somente em 11 de agosto de 1922. HAYDN compôs uma música com a missão de criar um hino que competisse com a revolucionária MARSELHESA da revolução francesa (que fora antes o “CANTO DE GUERRA DO EXÉRCITO DO RENO) e com a qual as tropas de Napoleão irromperam pela Europa entusiasmando até mesmo, as populações das regiões conquistadas. O nome correto de “DEUTSCHLAND ÜBER ALLES” é “DAS LIED DER DEUTCHEN” ou “DEUTSCHLAND-LIED” – Hino dos Alemães ou Hino da Alemanha. Ha os que procuram identificar o hino como um canto de superioridade nacional o que porém, não possui nenhuma base histórica. A grande verdade é que o hino exaltava a unidade alemã que na época (antes de 1870) estava fragmentada em estados diversos. A unidade só foi estabelecida em 1871 pela ação de BISMARK e dos patriotas germânicos. VON FALLERSLEBEN, um mestre de escola, escreveu outras peças patrioticas, dentre as quais devemos destacar “MEIN VATERLAND” (Minha Pátria) e “DIE GEDANKEN SIND FREI” (As Idéias São Livres). Hoje, existem gravações do hino com a sua letra original mas, o hino da Alemanha atual, eliminou estrofes, até porque, as fronteiras atuais não correspondem aos limites citados nos versos de VON FALLERSLEBEN. Na minha infância distante, ao tempo em que, orgulhosamente conhecia o nosso Hino Nacional, ouvi muitas vezes, meus antepassados e conhecidos cantando “DEUTSCHLAND ÜBER ALLES¨ e outras canções da Alemanha, bem baixinho, enquanto descansavam na cadeira de balanço olhando o horizonte, ao entardecer, com os olhos marejados de lágrimas. Como todo alemão, em qualquer lugar do mundo, eles amavam e se orgulhavam da nova pátria mas, num canto escondido do peito, havia ainda um lugar guardado para a ALTE HEIMAT. Que esse sentimento se perpetue nas gerações futuras deste Vale Europeu. Que a mulher alemã, a lealdade alemã, o vinho alemão e o canto alemão se conservem nesta terra de teuto brasileiros. Que a concórdia, o direito e a liberdade sejam do povo alemão e de seus descendentes neste Brasil que deu certo. Floresça no brilho da tua felicidade, floresça terra natal alemã no coração e na mente dos brasileiros que aqui vivem e se orgulham da sua origem.

RUBENS BACHMANN – rasputim.bnu@terra.com.br
Jornalista – RG. 01650 – JP – DRT/SC
BACHMANN, Rubens – UM RIO DE LETRAS – Ed. Nova Letra – SC - 2006 p. 147

 

 

 

 

LILI MARLENE

A canção preferida da Segunda guerra mundial emocionou muitos corações em todo o mundo. LILI MARLENE era o hino oficial de todos os soldados em inúmeros “fronts”. A letra original desse hino (Das Lied eines jungen Soldaten auf der Wacht) é de autoria de HANS LEIP, um soldado alemão da 1a guerra mundial. HANS LEIP nasceu em 22 de setembro de 1893, em HAMBURGO (HAMBURG/DE) e faleceu em 06 de junho de 1983 em FRUTHWILEN – FRAUENFELD (THURGAU) – na SUIÇA. Ele escreveu as estrofes em 1915 na sua despedida do “front” russo. Ele combinou o nome de sua amiga LILI com o nome MARLENE, de alguém que era amiga de seu amigo. Ha uma versão que diz que é possível que ele tenha se inspirado em MARLENE, uma enfermeira por quem passou e lentamente viu sumir no nevoeiro. Joseph Goebbels queria transformar LILI MARLENE numa marcha militar. LALE ANDERSEN (a grande cantora) inicialmente nem quiz cantar a canção/hino. Pouco antes da 2a grande guerra ela, LALE ANDERSEN (Eulalia Bunnenberg, geb. 23.03.1905 in LEHE/BREMERHAVEN, gest. 29.08.1972, in WIEN) gravou a canção mas só vendeu 700 cópias. Em 1941, LILI MARLENE, acompanhava o Afrika Korps. O Marechal Rommel (foi enterrado em Berlin com os soldados em passo de ganso, cantando “DER GUTE KAMERAD”) admirava LILI MARLENE. Ninguém mais freava o hino e ele era conhecido em todos os lugares na década de 40. Também os aliados ouviam a canção e LILI MARLENE se tornou a CANÇÃO DE AMOR de todos os soldados, independentemente de nacionalidade ou língua. MARLENE DIETRICH gravou “DAS MÄDCHEN UNTER DER LATERNE”. Todos a ouviam no Norte da Africa, na Italia, no Alaska, na Groenlândia, na Islândia e até mesmo na Inglaterra. Um coral anônimo, gravou LILI MARLENE e em 1944 a canção estava na grande parada dos Estados Unidos. Só em 1968 LILI MARLENE voltou á grande parada dos E.U.A. Em 1981, LILI MARLENE brilhou na grande parada da própria Alemanha. Em 1986, foi a vez do Japão. Afirma-se que este hino foi traduzido para mais de 48 idiomas, dentre eles, o francês, o russo, o italiano, o hebraico, o húngaro, o espanhol e o polonês. Até na Estônia (terra de Papai Noel) se conhece a letra e música. Na IUGOSLAVIA, o general TITO era admirador de LILI MARLENE. Com certeza, LILI MARLENE é o hino de guerra mais popular de todos os tempos. Por que esse hino é tão popular? Deixemos a palavra para a grande LALE ANDERSEN que disse: “PODE O VENTO ESCLARECER PORQUE ELE SE TRANSFORMA EM TUFÃO?” LILI MARLENE foi gravada por WILLY FRITSCH, em 1939, HEYN QUARTET, PANZERGRENADIERDIVISION, LALE ANDERSEN, em 1939 e em mais duas versões (uma delas tri-lingual:alemão, francês e inglês), MARLENE DIETRICH, MIMI THOMA (gramofone), ANNE SHELTON, em 1944, VERA LYNN, SUZY SOLIDOR, LOU BANDY & ORKESTER, em 1942, ILONA NAGYKOVÁCSI e muitos outros. LUCY MANNHEIM gravou uma versão anti-HITLER (paródia) transmitida pela BBC de Londres em 1943. Nós, graças a Deus, continuamos ouvindo a bela canção nas nossas rádios e nas nossas festas que preservam a tradição germânica. Devemos aprender a ouví-la, em silêncio para entendermos a profundeza de seus versos.

Pesquisa: RUBENS BACHMANN – jornalista – REG. 16050-JP – DRT/SC
Rasputim.bnu@terra.com.br
Soutosbach-Pomerode/SC.



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